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Lamento não ser a rocha que resiste a ação do mar

Mas em vez disso ser a onda que bate nela e se desfalece

E repete esse ciclo

Fazer e desfazer

Desculpe chorar

E reclamar de coisas que parecem tão senso comum

O mundo já bate demais, não deveríamos ser nós a bater mais

Não acho justo permitir a violência para punição

Seu tapa me ensina o errado mas você já tentou apontar o certo?

Sinto por você que precisa do descontrole do outro para superioridade

Sinto pelo mundo em pedaços que não conseguimos consertar

Sinto por tudo

Mas é melhor me quebrar em mil pedaços a ser conivente com a dor

Eu me sento no meio da minha mente que parece tão vazia e ao mesmo tempo tão aglomerada

Sinto vinte coisas simultaneamente mas meu rosto permanece sem expressão

Minha razão de abrir os olhos é procurar uma razão e também o motivo do meu ciclo de sofrimento

A falta de propósito que permeia

O sentimento que me consome não importe o quanto eu fale

O quanto eu grite

Desenhe

Escreva

Produza

Corra

Para ele nada é suficiente, ele quer tudo. Agora. Coisas que nunca aconteceram, mas ele já sussurra

Como uma grande super nova devorando tudo em seu caminho

Minha mente era nada e tudo ao mesmo tempo.

Uma massa disforme, um novelo emaranhado, uma tempestade em copo d’água.

Eu não queria lidar com isso.

Não queria entrar no labirinto e lutar contra o Minotauro.

Mas o silêncio era opressor.

E chegou um tempo que eu não era mais nada além de problemas.

Eu ainda não sai do quebra cabeça. Talvez eu nunca saia.

É uma luta diária.

E o mostro também sou eu.

Até que um dia ele não será mais.

E em vez de sacrifício, serei herói na beirada da loucura com o fio de Ariadne me levando um pouco de razão.

Até o próximo trabalho de Hércules.

Eu vivo à beira do abismo.

Não lembro quando ele apareceu, apenas sei que uma parte de mim participou ativamente de sua formação. Vivemos numa batalha silenciosa, em que ele tenta me engolir e eu tento fechá-lo. Existem tempos em que ele parece raso como uma poça d’água e me pergunto se tudo não passa de uma brincadeira da minha cabeça para deixar as coisas maiores que são. Como uma ilusão de ótica naqueles quadros de escadas. Mas existem horas que ele parece grande e tão profundo que jamais verei seu fim. Uma supernova esperando para explodir e eu estou…

Sinto me submersa em um turbilhão de apatia

Ao mesmo tempo mil pensamentos cortantes

Rasgam minha carne

E comem minha paz

O principal é que bagunçam meu reflexo

Todo dia me pergunto

O que é isso que me olha

Do outro lado

As ondas quebram

Nas rochas da minha cabeça

Não consigo sublimar meus pensamentos

Que fervem aqui dentro

Não há tábua de salvação

Apenas o sentimento de estar sozinha

E ser assim

Nesse turbilhão

Desculpe, você me escutaria?

E se escutasse…aceitaria?

O sentimento torto

De uma pessoa perdida

Cujo tempo não batia

Com o seu?

Encontrei pedaço da minha alma e perdi as palavras da mesma

Fica quieto aqui, mas é tão barulhento

O sentimento não chega mais ao papel

rasgando

doendo

revolvendo

Ele só vem e vai

Da mesma forma

Fiquei mais forte ou os sabores abrandaram?

Bom, o tempo passa

E eu continuo poetisa de meia-tigela

Não sei se é maremoto ou calmaria o que passa aqui dentro. Mil coisas se destroem e o barulho é ensurdecedor mas, de alguma forma, o silêncio permeia tudo.

Inércia crava suas garras bem fundo. Não é estática mas é um movimento retilíneo infinito para lugar nenhum. Avançar para perceber que aquilo que agarras é apenas a própria cauda.

Nada muda. As pessoas esbarram em você, seus sorrisos são intoxicantes. Um vício pelo vislumbre do seu reflexo no olhar do outro, para perceber que estes não te enxergam.

Você se partiu tanto, que não existe mais porta para entrar. E agora estamos aqui, eu e tu. O monstro e nada…e mais ninguém.

As pétalas se desfalecem

Em cima de tua face

O tempo desacelera

Nessa torrente de desfortúnios

O dia alvorece

Mas cresce a metástase

Dentro dessa era

Que só existe um túnel

De desesperança

O grito entala na garganta

E os sonhos jazem em prantos.

Passado, presente e futuro se

misturam em minha mente

Sofro pelo que não aconteceu,

Lamento o que já ocorreu

E as coisas que acontecem agora, deixo para senti-las em outra

hora.

A. C.

Eu sou a pessoa do outro lado do espelho.

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