A. C.

Sou um cemitério de sonhos

As ideias me veem a mente e morrem emaranhadas entre as sinapses errantes na prisão do meu cérebro

Elas lutam em vão para se libertar e vir ao mundo

Mas o solo é infértil

Estéril

Erodido

O lápis não se ergue mais e as cores desvanecem

O artista grita

E eu continuo a andar enquanto seus berros somem no abismo

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Lamento não ser a rocha que resiste a ação do mar

Mas em vez disso ser a onda que bate nela e se desfalece

E repete esse ciclo

Fazer e desfazer

Desculpe chorar

E reclamar de coisas que parecem tão senso comum

O mundo já bate demais, não deveríamos ser nós a bater mais

Não acho justo permitir a violência para punição

Seu tapa me ensina o errado mas você já tentou apontar o certo?

Sinto por você que precisa do descontrole do outro para superioridade

Sinto pelo mundo em pedaços que não conseguimos consertar

Sinto por tudo

Mas é melhor me quebrar em mil pedaços a ser conivente com a dor

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Eu me sento no meio da minha mente que parece tão vazia e ao mesmo tempo tão aglomerada

Sinto vinte coisas simultaneamente mas meu rosto permanece sem expressão

Minha razão de abrir os olhos é procurar uma razão e também o motivo do meu ciclo de sofrimento

A falta de propósito que permeia

O sentimento que me consome não importe o quanto eu fale

O quanto eu grite

Desenhe

Escreva

Produza

Corra

Para ele nada é suficiente, ele quer tudo. Agora. Coisas que nunca aconteceram, mas ele já sussurra

Como uma grande super nova devorando tudo em seu caminho

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Minha mente era nada e tudo ao mesmo tempo.

Uma massa disforme, um novelo emaranhado, uma tempestade em copo d’água.

Eu não queria lidar com isso.

Não queria entrar no labirinto e lutar contra o Minotauro.

Mas o silêncio era opressor.

E chegou um tempo que eu não era mais…

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