A. C.

Jun 17, 2018

2 min read

O clichê dos clichês.

A garota não sabia o que era amor.

Ela andava sufocada na multidão com o álcool pulsando pelo seu corpo e a música incessante em seus ouvidos.

Seus amigos riam e dançavam e flertavam e bebiam e inebriavam o ar com sua felicidade juvenil.

Ela olhava para eles como alguém olha para um aquário de peixes coloridos. Havia um vidro entre eles.

Qual era o problema dela?

A música trocou, ela gostava dessa específica.

Virou mais uma cerveja e a mente fez o resto.

Seu corpo se moveu conforme a música, deliciado.

Não esbarrava nas pessoas a sua volta enquanto batia seus pés no ritmo da batida.

Virou para o lado e durante um segundo, seus olhos se encontraram.

Ele parecia tão perdido quanto ela.

Desviaram o olhar.

Voltaram de novo.

Chegaram mais perto.

Desvia.

Volta.

Chega.

Nesse acordo não verbal começaram a se mexer juntos.

A música continuava a tocar, as luzes lançavam cores estranhas sobre a multidão.

Verde.

Esquerda.

Roxo.

Direita.

Vermelho.

Meia volta.

Azul.

Um giro.

Amarelo.

Mãos para o alto.

Eles riram, a situação era ridícula.

Não precisavam falar para se entender. Não trocaram uma palavra.

Apenas dançaram.

Continuaram a pular e o ápice veio.

Sintetizadores pulsavam.

A bateria enlouquecia.

Letras em inglês que ninguém entendia saiam dos auto falantes.

A música acabou.

A garota se deu conta que continuava parada com a garrava de cerveja na mão.

Suspirou.

Olhou o relógio.

Meia noite era um horário razoável para ir embora e dizer que aproveitou a noite.

A garota esbarrou em alguém na hora da saída. Pediu desculpas. Ele mal percebeu quem lhe encostara com a algazarra que seus amigos faziam na sua frente.

O garoto não sabia o que era amor…

Eu sou a pessoa do outro lado do espelho.

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