Perdão.

Minha casca desfalece entre nuvens de pensamentos venenosos.

Rostos riem.

Vermelho, das lutas que não vieram.

Amarelo, das lembranças oxidadas.

Encaram azul, em seu eterno desespero.

Este último corre, tentando fugir do segundo e alcançar o primeiro.

Mas ele não chega.

Nunca chegará. E nunca voltará.

Tropeça. Machuca. Desanda. Quase para.

Sempre correndo.

Olha para o lado.

Lá está ela. Aquela que jamais será.

Lá está a outra. Que também não é.

Chora.

Corre mais.

Não é o suficiente.

Corra, corra.

Os pés sangram, o corpo arranha.

Não sai do lugar.

Repete.

Vermelho, amarelo, azul, outra, outra…

Culpa.

Não cresce, pois se poda.

Círculos não fechados, rodando sem parar.

Uma espiral que não leva a lugar algum.

Objeto de seu próprio destino.

Vai bater, ah…

Caiu, com força.

Que estrada é essa?

Que fardo é esse que carrega?

É seu? Larga.

Destrói. Reconstrói.

Aprende a andar de trás para frente.

Não veja o lado.

Vê dentro.

A louca de toda vez sorri.

Ri junto.

Vira sujeito, de direito.

O labirinto é seu. E de mais ninguém.

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Eu sou a pessoa do outro lado do espelho.

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